ENTREVISTA: O PODER DO ENTUSIASMO NA EMPRESA
© Mario Persona
http://www.mariopersona.com.br/blog/archives/00000128.htm
Jornal Exclusivo - Como o entusiasmo contamina as pessoas e leva
ao sucesso?
Mario Persona - A palavra motivação significa motivo para a ação,
uma razão da pessoa realizar algo. Esse motivo pode ser o
entusiasmo, mas é preciso que ele tenha um fundamento sólido ou não
irá durar. Entusiasmo é como estouro de boiada - um boi corre e
todos correm com ele, sem nem mesmo saber a razão. É claro que é
possível criar um clima de entusiasmo e até motivar pessoas apenas
por estímulos passados pelo ambiente ou pelo contato, mas uma
empresa precisa de algo mais do que apenas entusiasmo para motivar.
É preciso algo real.
Normalmente somos motivados por dinheiro, prazer e prestígio. É
claro que as teorias motivacionais incluem vários desdobramentos
disso, ou podem chamar o que chamo de dinheiro por necessidades
físicas, de sobrevivência ou algo assim. Dinheiro resume o que
precisamos para garantir nossa subsistência. Prazer é outro
elemento motivador e pode ter também diversos significados, como
conforto, sensações, recordações, por exemplo. Prestígio aparece em
algumas teorias como necessidade de auto-afirmação ou de
realização, entre outras idéias.
Mas resumindo tudo em dinheiro, prazer e prestígio fica mais fácil
de entender e de aplicar numa empresa. Para motivar as pessoas,
portanto, é preciso ter em mente que será preciso oferecer uma ou
mais dessas coisas como prêmio ou recompensa. Mas antes é
importantíssimo fazer um diagnóstico para não oferecer o elemento
motivador errado. Por exemplo, às vezes pode parecer que a causa de
descontentamento de um colaborador seja seu salário.
A empresa aumenta o salário e ele continua desmotivado, porque
ainda que qualquer pessoa goste de ganhar mais, ele não está
fazendo o que gosta, não tem prazer no que faz. Em outras situações
a empresa promove a pessoa a um cargo de maior destaque, dá mais
prestígio, quando ela preferia trabalhar nos bastidores. Portanto,
é bom que seja feito um diagnóstico e só então determinar qual será
o elemento motivador. Quando isso é feito corretamente, cria-se um
entusiasmo que tem fundamento e não é apenas uma
emoção momentânea.
É claro que o papel do líder e de sua capacidade de conceituar
metas é importantíssimo para gerar isso. Soldados vão à luta com o
entusiasmo que o líder passa e a motivação que na maioria das vezes
não é nem dinheiro, nem prazer, mas o prestígio gerado por um
sentimento de conquista, bravura, coragem e coisas assim.
Jornal Exclusivo - Como a empresa pode evitar que um colaborador
descontente e desmotivado contamine os outros
integrantes da equipe?
Mario Persona - É preciso descobrir qual a causa do
descontentamento e procurar saná-la. Tudo começa no diagnóstico,
como fazem os médicos. Na observação do comportamento, tentando
identificar o que está faltando para aquele colaborador. Às vezes é
uma questão fácil de resolver, só mudando seu local de trabalho, o
tipo de função que exerce ou até mesmo dando a ele as ferramentas
adequadas. Lembra-se do prazer do qual falei? Uma pessoa que tem
prazer no que faz ou trabalha em um ambiente e com as ferramentas
certas será motivada a produzir mais.
Porém há situações em que o problema não é nem mesmo de motivação.
Há casos de colaboradores que ganham relativamente bem, trabalham
nas melhores condições e representam uma marca ou atuam em um posto
que lhes dá o prestígio que muitos gostariam de ter. Ainda assim
são pessoas que vivem se queixando, gerando desavenças entre os
colegas, criticando a empresa e seus superiores, gerando conversas
a boca pequena nos cantos e recônditos da empresa. É claro que uma
pessoa assim está minando os ânimos e a capacidade produtiva dos
outros.
Quando isso acontece, o problema está no caráter e na atitude e
pode ser que essa pessoa não sirva para trabalhar nem ali nem em
lugar nenhum. Esse tipo de câncer deve ser extirpado de uma equipe.
Nem todas as pessoas são capazes de trabalhar de forma harmônica em
uma equipe pois, ainda que tragam toda a bagagem técnica ou de
conhecimento necessária, não são pessoas que têm uma atitude para
com o trabalho na forma como a empresa deseja que
seja desempenhado.
Às vezes a empresa precisa buscar ajuda externa para motivar sua
equipe ou mesmo injetar idéias novas. Um dos grandes perigos que a
empresa corre é de estagnação de sua força de trabalho, quando ela
permanece a mesma ou é reduzida, sem a entrada de sangue novo ou a
interferência de consultores externos trazendo novas idéias.
Pense naquelas famílias reais da antiga Europa, cujos membros só
se casavam entre si, sangue real com sangue real. Era grande o
número de pessoas feias ou com problemas causados pela
consangüinidade. O mesmo princípio é conhecido entre criadores, que
buscam inseminadores de fora para fortalecer o plantel. A
inseminação com idéias vindas de fora é importantíssima para a
empresa não correr o risco de ficar andando em círculos sem
enxergar o que está acontecendo de novo no mercado.
Jornal Exclusivo - Quais os cuidados que o líder deve ter para não
deixar a equipe desmotivada?
Mario Persona - Primeiro deve liderar pelo exemplo. Muitos ainda
lideram dentro do estilo "vaqueiro", tocando a boiada aos berros,
quando o melhor estilo e que traz melhores resultados é o estilo
"pastor", que caminha na frente de seu rebanho
mostrando o caminho.
Outro cuidado é com a transparência. O líder não pode querer uma
equipe de mentirosos que mintam para clientes e fornecedores e, ao
mesmo tempo, de pessoas leais e honestas, que só falem a verdade
dentro da empresa. Se criar uma cultura de mentira irá sofrer as
conseqüências dessa cultura na própria pele da empresa.
Por sinal, o melhor caminho para criar uma equipe de mentirosos é
fazendo repreensões e humilhando seus colaboradores diante de toda
a equipe. Com o tempo todos aprendem a ser desonestos, malandros e
mentirosos, mascarando resultados, escondendo a verdade como forma
de evitar o vexame de uma reprimenda pública.
Com o achatamento da pirâmide de comando, para a redução dos
custos, diversos níveis gerenciais e de liderança estão sendo
eliminados e maior poder é dado à base da pirâmide para tomar
decisões. Nem todas as empresas estão prontas para isso, mas é
preciso se preparar para uma difusão horizontal e lateral do
comando.
Para entender melhor isso, imagine que o comando parta do topo da
pirâmide descendo verticalmente até apenas um ou dois níveis,
mudando então seu rumo horizontalmente. Então cada colaborador
recebe sua carga de "empowerment" ou delegação de poder de ação e
decisão, tornando-se um líder quase que informal em seu círculo de
relacionamento.
Delegar é a palavra de ordem em uma organização assim, e os
líderes que não se sentirem à vontade para delegar provavelmente
ficarão de fora dessa configuração que é adotada por um número cada
vez maior de empresas. O líder verdadeiro deve se ocupar das
tarefas que acionem outras e gerem um efeito dominó envolvendo
muitas pessoas e processos, delegando o resto.
Jornal Exclusivo - Que dicas daria para o colaborador desmotivado?
Por que?
Mario Persona - A primeira dica é que comece a enxergar seu
empregador como seu cliente. O próprio termo "colaborador", cada
vez mais utilizado em lugar de empregado ou funcionário, é coerente
com uma nova configuração do ambiente de trabalho, onde as
atividades são cada vez mais terceirizadas a ponto de você não
saber mais quem é empregado e quem é terceirizado em uma equipe
trabalhando dentro de uma mesma empresa.
O terceirizado tem bem claro em mente que a empresa para a qual
trabalha é cliente e ele será substituído caso não dê resultado.
Todos deveriam enxergar a coisa assim. Quando você tem isso em
mente, começa seu trabalho de investir em sua própria carreira como
um autônomo investiria na sua ou um fabricante em seu produto. O
objetivo é cativar o cliente para não perder seu lugar no mercado.
---
Mario Persona www.mariopersona.com.br é palestrante, consultor e
autor de Marketing Tutti-Frutti e Marketing de Gente.
© Mario Persona
http://www.mariopersona.com.br/blog/archives/00000128.htm
Jornal Exclusivo - Como o entusiasmo contamina as pessoas e leva
ao sucesso?
Mario Persona - A palavra motivação significa motivo para a ação,
uma razão da pessoa realizar algo. Esse motivo pode ser o
entusiasmo, mas é preciso que ele tenha um fundamento sólido ou não
irá durar. Entusiasmo é como estouro de boiada - um boi corre e
todos correm com ele, sem nem mesmo saber a razão. É claro que é
possível criar um clima de entusiasmo e até motivar pessoas apenas
por estímulos passados pelo ambiente ou pelo contato, mas uma
empresa precisa de algo mais do que apenas entusiasmo para motivar.
É preciso algo real.
Normalmente somos motivados por dinheiro, prazer e prestígio. É
claro que as teorias motivacionais incluem vários desdobramentos
disso, ou podem chamar o que chamo de dinheiro por necessidades
físicas, de sobrevivência ou algo assim. Dinheiro resume o que
precisamos para garantir nossa subsistência. Prazer é outro
elemento motivador e pode ter também diversos significados, como
conforto, sensações, recordações, por exemplo. Prestígio aparece em
algumas teorias como necessidade de auto-afirmação ou de
realização, entre outras idéias.
Mas resumindo tudo em dinheiro, prazer e prestígio fica mais fácil
de entender e de aplicar numa empresa. Para motivar as pessoas,
portanto, é preciso ter em mente que será preciso oferecer uma ou
mais dessas coisas como prêmio ou recompensa. Mas antes é
importantíssimo fazer um diagnóstico para não oferecer o elemento
motivador errado. Por exemplo, às vezes pode parecer que a causa de
descontentamento de um colaborador seja seu salário.
A empresa aumenta o salário e ele continua desmotivado, porque
ainda que qualquer pessoa goste de ganhar mais, ele não está
fazendo o que gosta, não tem prazer no que faz. Em outras situações
a empresa promove a pessoa a um cargo de maior destaque, dá mais
prestígio, quando ela preferia trabalhar nos bastidores. Portanto,
é bom que seja feito um diagnóstico e só então determinar qual será
o elemento motivador. Quando isso é feito corretamente, cria-se um
entusiasmo que tem fundamento e não é apenas uma
emoção momentânea.
É claro que o papel do líder e de sua capacidade de conceituar
metas é importantíssimo para gerar isso. Soldados vão à luta com o
entusiasmo que o líder passa e a motivação que na maioria das vezes
não é nem dinheiro, nem prazer, mas o prestígio gerado por um
sentimento de conquista, bravura, coragem e coisas assim.
Jornal Exclusivo - Como a empresa pode evitar que um colaborador
descontente e desmotivado contamine os outros
integrantes da equipe?
Mario Persona - É preciso descobrir qual a causa do
descontentamento e procurar saná-la. Tudo começa no diagnóstico,
como fazem os médicos. Na observação do comportamento, tentando
identificar o que está faltando para aquele colaborador. Às vezes é
uma questão fácil de resolver, só mudando seu local de trabalho, o
tipo de função que exerce ou até mesmo dando a ele as ferramentas
adequadas. Lembra-se do prazer do qual falei? Uma pessoa que tem
prazer no que faz ou trabalha em um ambiente e com as ferramentas
certas será motivada a produzir mais.
Porém há situações em que o problema não é nem mesmo de motivação.
Há casos de colaboradores que ganham relativamente bem, trabalham
nas melhores condições e representam uma marca ou atuam em um posto
que lhes dá o prestígio que muitos gostariam de ter. Ainda assim
são pessoas que vivem se queixando, gerando desavenças entre os
colegas, criticando a empresa e seus superiores, gerando conversas
a boca pequena nos cantos e recônditos da empresa. É claro que uma
pessoa assim está minando os ânimos e a capacidade produtiva dos
outros.
Quando isso acontece, o problema está no caráter e na atitude e
pode ser que essa pessoa não sirva para trabalhar nem ali nem em
lugar nenhum. Esse tipo de câncer deve ser extirpado de uma equipe.
Nem todas as pessoas são capazes de trabalhar de forma harmônica em
uma equipe pois, ainda que tragam toda a bagagem técnica ou de
conhecimento necessária, não são pessoas que têm uma atitude para
com o trabalho na forma como a empresa deseja que
seja desempenhado.
Às vezes a empresa precisa buscar ajuda externa para motivar sua
equipe ou mesmo injetar idéias novas. Um dos grandes perigos que a
empresa corre é de estagnação de sua força de trabalho, quando ela
permanece a mesma ou é reduzida, sem a entrada de sangue novo ou a
interferência de consultores externos trazendo novas idéias.
Pense naquelas famílias reais da antiga Europa, cujos membros só
se casavam entre si, sangue real com sangue real. Era grande o
número de pessoas feias ou com problemas causados pela
consangüinidade. O mesmo princípio é conhecido entre criadores, que
buscam inseminadores de fora para fortalecer o plantel. A
inseminação com idéias vindas de fora é importantíssima para a
empresa não correr o risco de ficar andando em círculos sem
enxergar o que está acontecendo de novo no mercado.
Jornal Exclusivo - Quais os cuidados que o líder deve ter para não
deixar a equipe desmotivada?
Mario Persona - Primeiro deve liderar pelo exemplo. Muitos ainda
lideram dentro do estilo "vaqueiro", tocando a boiada aos berros,
quando o melhor estilo e que traz melhores resultados é o estilo
"pastor", que caminha na frente de seu rebanho
mostrando o caminho.
Outro cuidado é com a transparência. O líder não pode querer uma
equipe de mentirosos que mintam para clientes e fornecedores e, ao
mesmo tempo, de pessoas leais e honestas, que só falem a verdade
dentro da empresa. Se criar uma cultura de mentira irá sofrer as
conseqüências dessa cultura na própria pele da empresa.
Por sinal, o melhor caminho para criar uma equipe de mentirosos é
fazendo repreensões e humilhando seus colaboradores diante de toda
a equipe. Com o tempo todos aprendem a ser desonestos, malandros e
mentirosos, mascarando resultados, escondendo a verdade como forma
de evitar o vexame de uma reprimenda pública.
Com o achatamento da pirâmide de comando, para a redução dos
custos, diversos níveis gerenciais e de liderança estão sendo
eliminados e maior poder é dado à base da pirâmide para tomar
decisões. Nem todas as empresas estão prontas para isso, mas é
preciso se preparar para uma difusão horizontal e lateral do
comando.
Para entender melhor isso, imagine que o comando parta do topo da
pirâmide descendo verticalmente até apenas um ou dois níveis,
mudando então seu rumo horizontalmente. Então cada colaborador
recebe sua carga de "empowerment" ou delegação de poder de ação e
decisão, tornando-se um líder quase que informal em seu círculo de
relacionamento.
Delegar é a palavra de ordem em uma organização assim, e os
líderes que não se sentirem à vontade para delegar provavelmente
ficarão de fora dessa configuração que é adotada por um número cada
vez maior de empresas. O líder verdadeiro deve se ocupar das
tarefas que acionem outras e gerem um efeito dominó envolvendo
muitas pessoas e processos, delegando o resto.
Jornal Exclusivo - Que dicas daria para o colaborador desmotivado?
Por que?
Mario Persona - A primeira dica é que comece a enxergar seu
empregador como seu cliente. O próprio termo "colaborador", cada
vez mais utilizado em lugar de empregado ou funcionário, é coerente
com uma nova configuração do ambiente de trabalho, onde as
atividades são cada vez mais terceirizadas a ponto de você não
saber mais quem é empregado e quem é terceirizado em uma equipe
trabalhando dentro de uma mesma empresa.
O terceirizado tem bem claro em mente que a empresa para a qual
trabalha é cliente e ele será substituído caso não dê resultado.
Todos deveriam enxergar a coisa assim. Quando você tem isso em
mente, começa seu trabalho de investir em sua própria carreira como
um autônomo investiria na sua ou um fabricante em seu produto. O
objetivo é cativar o cliente para não perder seu lugar no mercado.
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Mario Persona www.mariopersona.com.br é palestrante, consultor e
autor de Marketing Tutti-Frutti e Marketing de Gente.
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